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Noviactual

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É assim todos os dias de manhã ou a tarde, faça sol ou faça chuva, a praça no largo atrás da pró-catedral de Nossa Senhora da Luz, no Mindelo, enche-se de gente. Aqui se encontram pessoas de várias idades e classes sociais. Jogam cartas ou uril, põe conversas em dia ou até mesmo debatem assuntos de atualidade. Ali fala-se muito da política nacional, até porque o sítio é conhecido por parlamento.

 

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Na cidade há varias pontos onde se pode jogar, normalmente são praças construídas com a finalidade de proporcionar aos amantes destes jogos um local de encontro, de diversão e lazer.

 

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Fernando Roque, o senhor de casaco verde e branco, na fotografia, “Roque” entre os amigos é um dos frequentadores do parlamento e quase todos os dias, depois de um dia de trabalho vai ao parlamento se divertir com os amigos.

 

Enquanto jogava conversava com o Noviactual “Frequento aqui há muito tempo…. É o meu divertimento. Depois de sair à procura de algo para ganhar algum dinheiro, venho aqui jogar para passar tempo”. É divertido, disse Roque, sempre atento no seu jogo de cartas.

 

De todos os locais onde se joga cartas e uril “parlamento” é o preferido de Roque. “Parlamento é o melhor local para se jogar, aqui jogamos, divertimos e conversamos um pouco de tudo, por isso se chama parlamento”.  

 

Mais a baixo, na Rua da Praia, na praça ao lado da Réplica da Torre de Belém, há outro local de jogo.

 

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Aqui encontramos algumas mulheres. Numa das mesas de jogo havia uma senhora “brava” no seu jogo mas não quis ser fotografada.

 

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Outro ponte desses jogos tradicionais é a praça na Rua 12 de Setembro próximo do clube desportivo Amarante.

 

Muitos são aqueles que encontram nos jogos de cartas ou de uril uma forma de passar o tempo livre, quer na cidade quer nas zonas periféricas.

Leomar é uma artista plástica cabo-verdiana que se inspira na Mulher, no Mar e na Música para criar as suas obras. Gosta de ousar nas cores e não tem receio de utiliza-las na arte de pintar.

 

O Noviactual visitou o atelier Leomar Artes, no Palmarejo, Praia e constatou a vivacidade das suas obras coloridas sempre retratando a mulher, o mar e a música. E, neste dia da mulher cabo verdiana, exibimos a reportagem feita com a artista onde fala de uma exposição em homenagem à mulher que se realiza no próximo dia 30, da publicação futura de um livro e do seu projeto social.

 

Chama-se Leontina Ribeiro, é formada em Engenharia civil. O desenho e a pintura são outros amores da vida da Leomar, para além da sua família.

 

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O seu espaço de criação “Atelier Leomar artes” é segundo a artista o seu mundo e o melhor local para se inspirar “quando estou aqui dá impressão que estou fora do contexto mundial, do contexto da minha cidade, do meu ambiente mas é aqui que eu me sinto melhor e é aqui que tenho maior inspiração para trabalhar e desenvolver as minhas obras e para criar".

 

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As cores quentes são a marca da artista que pretende mostrar a cor da vida através das cores.

"Cor é vida e eu quero passar a mensagem de que através da pintura, das cores, dos materiais, de uma paleta de cores muito intensa, o povo cabo-verdiano é um povo alegre, que a nossa terra é bonita e que é feita de muitas cores. Tem paisagens bonitas, tem gente bonita, principalmente as nossas mulheres e quero passar a mensagem de que a vida é felicidade e que é feita de coisas bonitas, de coisas belas. As minhas cores radiantes, vibrantes, impactantes são para mostrar tudo isso, a cor da vida através das cores".

 

A sua inspiração vem da Mulher, do Mar e da Música que considera as três fontes de riqueza de cabo Verde.

"As minhas fontes de inspiração são os três Ms. Eu costumo dizer que são os três Ms da Leomar: mulher, mar e música. Pretendo mostrar que temos as grandes riquezas, a força da mulher cabo-verdiana, o mar que nos une, une as ilhas e nos une ao mundo e onde temos a fonte marinha que é rico, o fundo do mar de Cabo Verde é muito rico. Outra riqueza é a música que é a nossa identidade, todo mundo canta, temos bons músicos e boas composições. São essas as minhas grandes inspirações e são elas que eu trabalho e que eu comecei e, vou terminar os meus dias homenageando essas três fontes de riqueza cabo-verdiana".

 

A Leomar expõe em Cabo Verde, já mostrou as suas obras no estrangeiro tendo estado recentemente numa mostra em Miami. Como se sentiu nesse ambiente?

"Aqui em Cabo Verde anualmente faço dois ou três exposições e para além de partilhar os meus trabalhos cá dentro, eu também faço com que os meus trabalhos sejam reconhecidos no estrangeiro. As minhas obras fazem parte de acervos de muita gente lá fora.

Já fiz exposição em Portugal, Dakar e a mais recente que eu participei foi numa grande feira de arte que é a Art Basel em Miami, que decorreu em dezembro do ano passado, onde eu tive a oportunidade de relacionar-me com artistas de grandes nomes internacionais, num espaço internacional que é Miami south beach, e venho com um sentimento de ter aprendido muito e de ter visto coisas nunca antes pensadas e que me serve de formação para os meus trabalhos futuros".

 

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Leomar tem feito o retrato pintado de figuras destacadas do país desde a música, política, ou religião.

"Julgo que a nossa sociedade é formada por pessoas com um certo nível e pessoas que merecem ser valorizadas e homenageadas. Na última exposição que eu fiz “Fest Jazz”, o homenageado na altura era o Humbertona e pude homenageá-lo com um retrato pintado. E sendo um ambiente de música, eu quis também homenagear os músicos. Então fiz retratos pintados das figuras musicais de proa, que nós temos aqui. Pude pintar retratos de artistas como Tito Paris, Vasco Martins, Lura, Elida Almeida, Khyra, Maria de Barros, Nancy vieira, Mayra Andrade, Totinho e Albertino. Consideramos que essas pessoas merecem todo o nosso carinho e este é uma forma de mostrar o meu carinho por esses artistas que tão bem tem sabido levar e elevar o nome de Cabo Verde. Para além de figuras artísticas já pintei retratos de nomes políticos e religiosos como o Cardeal Dom Arlindo Furtado, o Padre Campos e Ulisses Correia e Silva. Vou homenageando as pessoas que dão tudo por tudo para que Cabo Verde seja um país melhor".

 

Leomar é uma mulher preocupada com as questões sociais e, por isso, desenvolve um projeto social intitulado “colorir as ilhas”.

Trata-se de um trabalho de caris social sem fins lucrativos, onde a artista faz da pintura uma fonte de mudança, de atitudes e de comportamentos. Procura neste particular, na tinta, no pincel e na tela resgatar a autoestima das crianças, jovens e mulheres no nosso mundo social.

“Sabemos que nós temos ainda grandes barreiras a atingir para que consigamos formar pessoas com equilíbrio emocional e financeiro e conseguir que essas pessoas vejam a arte como uma fonte de sustentabilidade e, também, através da arte conseguir mais harmonia a nível social, mais paz social, menos violência tanto juvenil como domestica. É, por isso, que convido essas pessoas através das Câmaras Municipais ou através das associações não-governamentais e levo a pintura para os mais jovens no sentido de contribuir para a formação dos cabo-verdianos por mais valores".

 

O desenho e a pintura surgem na vida da nossa entrevistada ainda na infância.

"A minha vontade de pintar e desenhar surgiu ainda muito cedo, quando estava na escola primária. Depois no ciclo desenvolvi mais essas aptidões e fui pintando porque havia coisas que me chamavam atenção. Comecei primeiro a desenhar as nossas paisagens, depois as figuras que me estavam mais

próximo para oferecer no natal, na pascoa ou no dia da mãe. No liceu fui desenvolvendo sempre a nível da pintura, tudo que era ambiente, para mim, era motivo para pintar. Já pintei retratos dos meus irmãos, dos meus amigos e chegou numa dada altura que nas turmas onde frequentava, para além de oferecer, vendia os meus desenhos aos meus colegas por 5, 10 $, que na altura era muito dinheiro. E fui crescendo com a vontade de fazer arquitetura e Belas artes, mas não foi possível, então abracei a oportunidade de fazer engenheira civil. E agora paralelamente a engenharia, desenvolvo a pintura de uma forma profissional".

 

Leomar expõe as suas obras de arte em homenagem à mulher cabo-verdiana.

A exposição intitulada “Di undi kim bem” é uma homenagem à mulher cabo-verdiana e que retrata a mulher na sua plenitude. Trata-se de uma parceria com o ministério da cultura e vai decorrer no palácio da cultura Ildo Lobo, na Praia a partir desta sexta-feira, 30.

"A exposição era para ser no dia 27 dia da mulher cabo-verdiana mas como a data cai no meio da semana vou faze-lo agora no dia 30 que é sexta-feira".

A mostra que reúne um leque de quadros pintados com recurso a espátula e a tinta acrílica mostra o percurso da mulher cabo-verdiana. "Eu sendo mulher vejo que a mulher cabo-verdiana é uma mulher muito lutadora, persistente, sacrificada, uma mulher de muita alma e muita paixão. E vou desenvolver as obras deste percurso, desta figura chave da sociedade cabo-verdiana que é a mulher através dessas obras que eu vou apresentar".

Di undi kim bem vai estar patente durante um mês.

 

Mais. Brevemente a Leomar vai presentear o público com o livro "O Percurso de Leomar" que vai trazer a história da vida da artista desde a infância à atualidade no domínio das artes. "O livro vai trazer as minhas obras, a minha família, os ambientes por onde eu passei, a minha relação com as pessoas e vai passar também as mensagens que eu gosto de pintar, Mulher, Mar e Música. Vai ser um livro mais de sala, um livro que vai também decorar. O próprio formato do livro vai ser uma obra de arte".

“O percurso de Leomar” é o veiculo que a artista plástica encontrou para dar a conhecer mais o seu trabalho "às vezes eu faço uma exposição e as pessoas não conhecem todas as minhas obras, e portanto, é uma forma de publicitar as minhas obras e o livro trará imagens do meu percurso, desde o inicio, porque o inicio não é quando eu começo a expor, o inicio é quando eu começo a dar conta de que o desenho e a pintura fazem parte de mim".

 

O Percurso de Leomar tem como editora Rosas de porcelana.

Lura de bem com a vida.

Carmo 20 Dez 17

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Foto: facebook da lura

 

Lura veio a “6 anos de sodade” homenagens organizada em memória a Rainha da morna, na passagem do sexto ano do seu desaparecimento físico. O Noviactual aproveitou o momento e conversou com a cantora para saber como é a Lura depois de ser mãe.

 

A artista mostrou-se ser uma mulher mais forte, feliz, garantindo que a maternidade é uma experiência única. 

 

“É uma mulher diferente, sou uma mulher muito mais forte, aprendi muito com o facto de ser mãe e realmente ser mãe muda tudo é uma outra Lura. Tenho uma visão muito mais realista da vida o amor que eu troco com a Nina é assim, qualquer coisa de fabuloso. De facto foi uma experiência única. Recomendo (Riso)” 


E como está a Nina, a menina dos olhos da Lura, que já completou 1 ano.


“A Nina está ótima, está cheia de saúde, diz a mãe “a Nina está cheia de vontade de andar, ela não anda mas pegamos na mão ela quer correr e é assim essa força da vida que vem ai a crescer. Está ótima graças a Deus.” 

 

Sobre a carreira, Lura diz que vai bem e continua a levar “Herança” pela Europa. E promete novo disco para já. 


“A minha carreira vai bem, agora tive este interregno com o nascimento da Nina. Depois de voltar aos palcos fiz a continuação da apresentação do mais recente disco que é “Herança” lançado em 2015 com tournée pela Europa que termina no dia 30 de dezembro no super ano novo em Lisboa. E já no início do próximo ano tenho que lançar qualquer coisa de novo. Já tenho ai qualquer coisa preparado para o próximo ano.” 

 

Lura, cujo nome de batismo é Maria de Lurdes Pina Assunção, nasceu em Lisboa, Portugal. Aos 21 anos começou a sua carreira musical tendo lançado na altura seu primeiro grande sucesso “Nha Vida”. Aos 41 anos, a cantora crioula querida dos cabo-verdianos decide realizar o sonho de ser mãe. Hoje é mãe de uma menina “linda” como diz de nome Nina Santiago. A menina nasceu em 2016 e é filha do também artista e Ministro da cultura e indústrias criativas do atual governo. 

Antes da chegada das lojas chinesas em Cabo Verde, a procura pelas sapatarias era maior. “Já teve dias melhores, a concorrência das lojas chinesas dificultou-nos a vida". A posição é defendida por quatro sapateiros, do ramo industrial e artesanal, que o Noviactual conversou: Manuel (Lelela), Toi, Carlos Delgado e Nelito.

Para além de fabricar e arranjar calçados, os sapateiros consertam uma gama de produtos desde estofos para carros e para sofás, carteiras, cintos, mochilas, bolsas, selim para cavalo e até bolas de futebol. Nas sapatarias quase tudo tem conserto.

As pessoas optam mais por comprar sapatos prontos nas lojas chinesas do que os personalizados, mesmo assim, depois vão conserta-los nas sapatarias.

 


- A oficina de Manuel “Calçados Lelela” no Monte Sossego, ainda consegue produzir para exportar: - “produzimos mais sapatos do que consertamos. Produzimos sandálias para Crianças, Senhoras e Homens. Recebemos encomendas de várias ilhas como Santiago, Sal, São Nicolau e Santo Antão”.

- A Oficina de Toi "Sapataria Toi" na rua da Craca na zona do Monte há muito que não recebeu uma encomenda, mas os pequenos arranjos aparecem sempre. Toi, marinheiro reformado, que exerce o ofício de sapateiro como hobby, garante que não conseguiria sobreviver apenas de sapateiro.

- A Oficina de Armando Pongo " Sapateria Delgado" situada no centro da Cidade, pertence agora ao filho Carlos Delgado. Este, garante que apesar das lojas chinesas ainda fabricam calçados: - “antes recebíamos mais encomendas, neste momento estou a fabricar umas botas para crianças com deficiência”.

 

- A Oficina de Nelito “Sapataria Nelito” no Monte Sossego, ainda consegue fabricar calçados: - “ainda confeccionamos sapatos. De vez em quando recebemos encomendas. Produzimos menos e consertamos mais (bolsas, malas, bolas, mochilas...).”

As lojas chinesas são ameaças para as sapatarias


Para Lelela “antes das lojas chinesas a venda era maior. Os produtos dos chineses não têm qualidade mas as pessoas preferem compra-los porque o preço é baixo”. Nelito afirma que “as lojas chinesas dificultaram e muito as nossas vidas”, Já Toi garante que “com a evasão das lojas chinesas praticamente estamos sufocados, agora é raro fazer sapatos”. Carlos Delgado afirma que “mesmo com as lojas chineses ainda conseguimos trabalhar”.

Os arranjos dos sapatos da china


A maior parte dos produtos para conserto são sapatos das lojas chinas que não dão o rendimento esperado confeçam: Lelela “as pessoas trazem sapatos para conserto só que muitas vezes são pequenas coisas que não dão grandes rendimentos”. Nelito afirma que “as pessoas compram nos chineses e tragam logo para conserto”. Toi assegura que “a maior parte dos nossos trabalhos agora é consertar sapatos da china”. Carlos Delgado garante que “muitos trazem sapatos da china para conserto, as vezes o conserto fica mais caro que o preço do sapato e alguns acabam por desistir”.

 

Os Materiais são caros e escassos 

 

Os sapateiros garantiram que a maior dificuldade é a falta de matéria-prima. Lamentam o facto de os preços serem elevados e da falta de jovens interessados em aprender o ofício “são poucas as pessoas que querem aprender, quem mais procura são os imigrantes da Costa africana residentes no Mindelo” disse Carlos da sapataria Armando Pongo. Já Toi garante que “os jovens preferem computador ao invés de aprender a arte de fazer sapatos”.

 

Cabedal, napa, cola, sola de borracho e pele são algumas das matérias-primas que se usam nas oficinas de calçados.

 

Para fazer sapatos é preciso “primeiro tirar as medidas, depois preparar a forma, fazer os moldes, cortar a peça... Isto não é tarefa fácil” disse Toi que acredita” é preciso ter muito jeito”.

 

Nota-se que com a chegada dos Chineses a fabricação por encomenda e arranjos de calçados diminuíram. As pessoas que optam por comprar sapatos nas lojas chinas frequentam muitas vezes as sapatarias para pequenos arranjos. Para alguns profissionais do ofício a sobrevivência do negócio está comprometida.

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