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Cabo Verde passa a ter uma Lei da paridade, que vai reduzir a distância entre mulheres e homens. O Parlamento aprovou a lei por maioria qualificada dos deputados. A Lei da paridade estabelece 40%, percentagem mínima de representação de mulheres e 60% de homens nas listas eleitorais.

 

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Foto/Reprodução/Parlamento

 

A proposta obteve 35 votos do MpD e 27 do PAICV.  A UCID votou contra porque a lei “rejeita” partidos que não tenham capacidade de apresentar uma lista na proporção 40/60. 

 

A presidente da Rede de Mulheres Parlamentares Cabo-verdianas, considera a aprovação da lei de paridade "um marco decisivo para o reforço da democracia cabo-verdiana". A Deputada Lúcia Passos, salientou ainda que o dia "será lembrado como o dia da mudança do ordenamento político do país". Lúcia Passos acredita que a lei vai garantir "uma efetiva igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, mediante a eliminação de todas as formas de discriminação e a criação das mesmas oportunidades”.

 

Em declaração de voto a deputada do MPD Salita Pereira, explicou que o partido votou a favor por considerar ser um instrumento importante para a consolidação da democracia cabo-verdiana, salientando que a igual participação de homens e mulheres na política “contribuirá grandemente” para repor a justiça social e para o desenvolvimento do país.

 

O Deputado do PAICV Clóvis Silva, justificou o voto a favor por acreditar que a lei “ construirá um cenário” de repartição justa do poder e de oportunidades entre homens e mulheres em Cabo Verde. Silva entende que esta votação lança agora, sobre os partidos políticos e sobre a população, a responsabilidade de “dar pleno cumprimento” às medidas que nelas estão incertas, para que seja eficaz e possa promover os avanços que se deseja na democracia do país.

 

Já o Presidente da UCID, António Monteiro, cuja bancada votou contra disse que “não tendo em consideração” as nuances que apresentaram para permitir maior facilidade da entrada das mulheres cabo-verdianas na política, “optou por trazer o artigo sexto”, onde de uma forma muito complicada, “rejeita” que os partidos que não tenham a capacidade de apresentar uma lista na proporção 40/60, não seja admitida pelos tribunais.

 

Com Inforpress

No mês em que se assinala o dia Mundial da Luta contra o cancro da mama, a Liga Cabo-verdiana Contra o Cancro - LCCC - realiza mais uma edição de Outubro Rosa. A finalidade é a prevenção através do diagnostico precoce.

 

Todos os anos, a liga escolhe uma zona para a realização das atividades do outubro rosa. Este ano escolheu a Zona de Ribeirinha.

 

O cancro da mama afeta milhares de mulheres em todo o mundo. Quando detetado precocemente, a doença, tem grande chance de cura. Por isso a Liga Cabo-verdiana Contra o Cancro - LCCC - sensibiliza a comunidade em especial as mulheres pela importância do diagnostico precoce do cancro da mama. 

 

Ao contrario do que muitos pensam, o cancro da mama é uma doença que afeta não apenas mulheres mas também os homens.

 

A LCCC tem vindo a realizar, durante este mês, várias ações, com vista a alertar a população pela causa. Motivo mais que suficiente para uma conversa com a Presidente da Liga, em São Vicente. A Dr. Conceição Pinto falou da importância do diagnostico precoce, da autoavaliação, da informação, de uma vida saudável e dos fatores de risco.

 

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Outubro Rosa, já vai na sua 10 edição. A presidente da LCCC explica os objetivos e a necessidade de sensibilização para as necessidades de insistir na informação, formação e sensibilização para os perigos do cancro da mama.  

 

O objetivo é reforçar a sensibilização da população, sobre a problemática do cancro da mama. É mais difícil prevenir o cancro de mama, por isso estamos a sensibilizar a população, sobretudo as mulheres para o diagnostico precoce. 

A mulher deve dar atenção as suas mamas. Fazer autoavaliação, acima de tudo se aparecer qualquer coisa deve dirigir-se as estruturas de saúde. Porque muitas vezes ao encontrar alguma coisa, a mulher fica em casa com receio, com medo para ver o quê é que vai acontecer. Estamos a combater isso. Se tiver duvida é bom esclarecer junto das estruturas de saúde.

 

Por isso reforça Conceição pinto “A informação é muito importante” acrescentando que " uma das coisas que estamos a fazer é ensinar as mulheres como se faz o autoexame da mama, como deve ser feito para que seja útil. Algumas fazem, mas de forma errada."

 

Mas, a autoavaliação por si só pode ser insuficiente. Haverá sempre necessidade de procurar um médico?

 

Infelizmente quando apalpamos, o nódulo já tem mais que três centímetros e considera-se que um nódulo com mais de dois centímetros já é preocupante. De qualquer forma sempre é melhor do que apanhar a doença nas fazes avançadas em que nós encontrávamos há alguns anos atrás.

 

Qual é o exame mais indicado para o diagnostico?

 

Dentro daqueles exames que estão disponíveis para o diagnostico precoce do cancro da mama, o exame indicado para mulheres com mais de 40 anos é a mamografia. Mas como, em Cabo Verde, nem todas as mulheres tem acesso a mamografia, algumas porque vivem em ilhas onde não existe tal equipamento, outras mesmo estando no sitio com equipamento não existe em quantidade suficiente que dá para fazer rastreio em todas as mulheres. Por isso, definiu-se como idade para exame de mamografia mulheres com mais de 40 anos.

Quando a mamografia não está acessível, a mulher deve preocupar-se em fazer o autoexame. É uma forma de estar atenta a mama. Temos consciência que não é o exame ideal mas melhor que nada.

 

É comum falar-se do cancro da mama nas mulheres e esquece-se dos homens. A percentagem é pequena, mas é uma realidade.

 

 "Um por cento (1%)" revela Conceição Pinto acrescentando que em Cabo Verde já foram registados casos de homens com cancro de mama. " Mas, infelizmente descoberto tardiamente, porque o homem não está atento. O que estamos a notar é que graças a Deus os homens também estão a ficar interessados no assunto, e querem saber informação. Alguns já sabem que os homens também podem ter cancro de mama, outros ainda ficam um bocadinho espantados. Por tanto, a ideia é também o diagnostico precoce. E, claro que não será com aquela periodicidade que as mulheres fazem."

 

Quais é que são os fatores de risco?

 

Quanto mais tempo a mulher estiver exposta a estrogénio, há mais hipótese de ter esta doença.

A idade é um dos grandes fatores de risco, porque conforme a mulher vai avançando na idade o risco vai aumentando.

A idade da primeira menstruação e a idade da ultima menstruação. Quando a mulher tem menstruação muito cedo e menopausa muito tarde, isto quer dizer que durante muito tempo esteve exposta as hormonas,

As mulheres que nunca tiveram filhos, as que não amamentaram e a obesidade são outros fatores de risco, mas não quer dizer que são causa direta do cancro.

E a herança genética. Isso é uma das coisas também que estamos atentos. Quando há risco na família, mulheres e homens têm um tipo de seguimento diferente, mais apertado.

 

Praticar atividade física, controlar o peso corporal e adotar uma alimentação saudável é fundamental.

 

Sim, porque alimentação e exercício estão ligados ao controlo de peso. E a obesidade é um dos fatores de risco para o cancro da mama, tendo em conta que a mulher quando é obesa há uma tendência para secreção de estrogénio através dos tecidos da massa gordurosa, quando ela não controla a alimentação, não cuida da alimentação, não faz exercício físico acaba por ter excesso de peso ou mesmo a obesidade que como já disse é um dos fatores de risco.

 

Em Cabo Verde há condições para que as mulheres diagnosticadas com a doença possam fazer o tratamento?

 

Depende do tratamento e depende do estádio da doença. Em Cabo Verde pode se fazer a cirurgia na praia a quimioterapia mas depois há outros meios de tratamentos que não temos, por isso é que uma boa parte das mulheres quando têm cancro são evacuadas para exterior, porque a doença quando diagnosticada atempadamente existe grande possibilidade de cura. 

 

Quais os procedimentos após uma suspeita de cancro de mama?

 

Quando a pessoa tem suspeita do cancro de mama essa pessoa é encaminhada por uma consulta própria dedicada ao cancro de mama, onde estão vários especialistas fazem as avaliações que devem fazer. E depois tem a vantagem que essas pessoas quando estão inscritas nessa consulta têm alguma prioridade dentro do hospital. E consoante o diagnóstico, a fase da doença e a idade do doente são tomadas decisões de evacuar para Portugal ou mandar fazer tratamento no centro do Hospital Agostinho Neto.

 

Existe uma estatística sobre o cancro da mama em Cabo Verde?

 

É um bocadinho complicado, porque uma boa parte das mulheres são evacuadas para Portugal. Temos uma estatística cá mas depois temos aquelas que estão lá. E como as estatísticas não são conjuntas fica difícil e alguns casos não são contabilizados. 

Segundo dados do Ministério de saúde, antigamente o cancro do colo do útero era o tipo de cancro que matava mais mulheres, agora a tendência esta a inverter o cancro da mama já passou a ser o cancro que causa mais mortes na mulher e notamos também que são diagnosticados mais casos.

 

Durante este mês, a LCCC tem realizando varias ações de sensibilização. Fala-nos dessas ações. 

 

Temos feito Varias tipos de atividades algumas nas comunidades, outras nas instituições públicas e privadas e também temos algumas atividades dirigidas aos profissionais de saúde. Portanto a capacitação dos profissionais de saúde é muito importante porque quanto mais preparado os profissionais de saúde estiverem melhor é a assistência que prestam aos doentes e aos seus familiares. 

Fizemos um curso de dois dias destinado aos enfermeiros, um simpósio dirigido a todos os profissionais de saúde com um grupo de especialistas de varias instituições de referencia em Portugal, porque hoje em dia o cancro é abordado de forma multidisciplinar. Tivemos também uma sessão dirigida ao publico em geral.

No domingo temos a caminhada rosa já vamos na 10 edição. Este ano as atividades estão centradas na comunidade de ribeirinha.

 

Qual é a mensagem que deixe a sociedade, no sentido de estar mais atenta a esta doença.

 

Em relação a sociedade é que o cancro da mama passou a ser um problema grave. Cada vez há mais casos e acaba por afetar a toda a gente, então é um problema da sociedade, um problema de saúde pública. Nós temos que estar atentos e tentar que as pessoas estejam informadas para que o diagnóstico seja feito o mais rapidamente possível. Em relação aos profissionais de saúde para que as mulheres sejam encaminhadas para tratamento o mais cedo possível, para que não haja demora em nenhuma fase, quer da parte da mulher quer da parte dos profissionais de saúde para que as coisas sejam feitas o mais rapidamente possível o que aumenta a chance de cura e evite aqueles tratamentos muito agressivos.

 

A 10 edição da Caminhada rosa, acontece no próximo domingo, 27, pelas 9h 30. A concentração será em frente a sede da liga. O percurso pelas ruas de Mindelo, passa pela zona de Ribeirinha e termina na Laginha.

 

Noviactual e Mais Mulher

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Neste dia da mulher cabo-verdiana, o Noviactual conversou com a presidente da Organização das Mulheres de Cabo Verde - OMCV em São Vicente, Fátima Balbina Lima, professora reformada e membro da OMCV desde a data da fundação em 1981.

 

 

Balbina dedica-se com boa vontade e espírito de sacrifício à causa feminina. Está a frente da OMCV, aproximadamente quatro anos, uma organização cujo trabalho social é notável com intervenções diversas junto das comunidades. Olha para os mais desfavorecidos e não esquece o futuro. Iniciativas que beneficiam, por exemplo, crianças fazem parte dos planos da OMCV para trabalhos de terreno no dia-a-dia.

 

 

A esse nível se se pensar que o papel da mulher ao nível da educação dos filhos é de destaque na sociedade cabo-verdiana, então, o trabalho social da OMCV que se intensifica no março mês da Mulher é ainda mais notável. Trabalho que neste mês de março e, sobretudo no dia 27, confunde-se de certa maneira com o ambiente festivo das celebrações do aniversário da OMCV que completa 38 anos de vida.

 

 

Claro! Aniversario é festa, é celebração. É preciso estar-se linda. É momento também de aproximação do salão de beleza, da OMCV, que ofereceu beleza às mulheres que passaram pela sede da organização durante o dia da mulher cabo-verdiana.

 

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Esta é uma organização com história que já se aproxima dos 40. A presidente da OMCV - São Vicente sente que já se fez um longo caminho. 

 

"É uma longa caminhada. Ao longo dos anos a OMCV sempre teve um papel, a nível nacional, junto das mulheres que era lutar, preparar a emancipação. Hoje já não faz sentido falar de emancipação, mas sim, falar de igualdade e equidade do género. Ao longo desses anos a OMCV sempre tem ido ao encontro das necessidades da camada mais vulnerável. Temos organizado e realizado formações para capacitar mulheres no sentido de elas se sentirem empoderadas e poderem participar no desenvolvimento socioeconómico, politico do país. Temos feito muito, mas ainda há muito por fazer e estamos aquém daquilo que nós temos programado. A nossa procura por parcerias, por projetos, por donativos é permanente porque falte-nos ainda a capacidade financeira para realizar tudo o que gostaríamos de fazer junto das mulheres seja nos centros urbanos, seja na periferia da cidade."

 

Quais é que são os desafios do dia-a-dia da Organização? 

 

"É poder responder a demanda aqui na OMCV. Diariamente as mulheres procuram a OMCV perguntando sobre formações, muitas delas à procura de emprego. Quando não conseguimos dar resposta encaminhamo-las para as outras instituições como Câmara Municipal, Centro de Emprego, Pro Empresa, Morabi. Essa é uma luta de todos e devemos trabalhar em união porque juntos podemos fazer muito mais. Se perguntar se estou satisfeita, estou sim. Mas gostaria de conseguir fazer muito mais e esse muito mais depende de uma maior envolvência com as outras instituições seja pública, seja privada."

 

Como é que analisa o papel e os desafios da mulher cabo-verdiana na sociedade atual ao nível, por exemplo, do poder? 

 

"A mulher cabo-verdiana ao longo desses anos teve uma evolução muito grande se compararmos os anos da independência de Cabo Verde e hoje vamos ver que houve uma grande evolução. Temos mulher em todas as esferas da sociedade cabo-verdiana. A mulher está a conquistar o seu espaço, está a cumprir o seu papel, e está sendo respeitada por seu mérito. A mulher demonstrou ao longo desses anos que é capaz, tudo depende dela. 

 

É claro que ainda a sociedade tende a dizer que há papéis para mulheres e há papéis para homens e, a mulher está a responder a isso de forma positivamente. Mas precisámos ainda de mais mulheres nos cargos politicos, nas chefias, nas tomadas de decisões, nas diretrizes das empresas sejam púlicas ou privadas. As mulheres sempre estão lá a trás e queremos que elas se perfilem na linha de frente."

 

Fátima Balbina percebe que o que falta agora é a contribuição das mulheres que estando mais evoluídas devem ajudar as ONGs e Associações, a trabalharem para as outras que estão menos evoluídas.

 

No dia da mulher cabo-verdiana Fátima Balbina Lima dirigiu-se às mulheres no país e na diáspora.

 

A todas as mulheres cabo-verdianas, no país e na diáspora, quero dizer, e agora falo como mulher cabo-verdiana e não como OMCV, Somos capazes. Somos responsáveis para a educação de todos, porque se começarmos essa educação em casa com os filhos educa-los no sentido de igualdade, no pleno sentido da palavra, educa-los no sentido das oportunidades, teremos uma sociedade cada vez melhor. E, tudo depende da mulher, ela é que comanda a educação, no verdadeiro sentido da palavra. Mas gostaria de dizer que nós somos capazes e podemos chegar lá onde quisermos. Continem essa luta sem desanimo. 

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Dando continuidade as entrevistas com os artistas do Quintal das artes, hoje os nossos convidados são Nanda e Neusa Gomes duas irmãos que, há pouco mais de um mês, fazem parte da família dos artistas do Quintal das artes. O espaço onde trabalham chama-se “Artes e consertos”, ali as irmãs costuram, fazem trabalhos artesanais e arranjam roupa.

 

Há já algum tempo que as duas trabalham nesta área, mas só agora resolveram investir e criar o seu próprio negócio. 

 

Em declarações ao Noviactual, Nanda e Neusa Gomes falam do projeto em comum que agora começa, das dificuldades do mercado e do que pretendem fazer nos próximos meses.

 

Como é que inspiras para criar as tuas artes?

 

Neusa - Eu quase que não me inspiro. Pego e faço. Por exemplo para fazer chinelos pesquiso e quando encontro algo interessante acrescento as minhas ideias. 

 

Como perceberam o vosso talento?

 

Neusa - É de família. Está no sangue. Quase toda a família faz alguma coisa em arte.

 

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As duas irmãs trabalham no artesanato e costura há muito tempo. Uma delas, por exemplo, Nanda tem quase 20 anos de experiência. Perante dificuldades do mercado de trabalho, as irmãs decidiram que ter um negócio próprio seria melhor opção, daí criaram “Artes e consertos”. 

 

Fala-nos deste projeto e de quando começaram.

 

Nanda - há muito tempo que faço costura desde 1998/99 mas trabalhava para terceiros, há pouco mais de um mês a minha irmã e eu resolvemos investir e trabalhar por conta própria. Muitas pessoas têm aparecido e apreciado o nosso trabalho. Sinto que este nosso projeto tem pernas para andar.

 

Neusa- faço por exemplo enxoval de bebe há muito tempo, só que fazia apenas por encomenda. Mas agora temos o nosso espaço, aqui estão todos os nossos produtos. Já fizemos muitas coisas e vamos fazer muito mais. 

 

O que é que se pode encontrar aqui?

 

Nanda - Fazemos muita coisa. Mas ainda não costuramos roupa, apenas fazemos fardas e batas de escola e do jardim. Fazemos artesanato em garrafas, chapéus, enxoval de bebe, bolsas, carteiras, pegas de semana para cozinha, chinelos personalizados, mas também arranjamos roupas.

 

Como é que tem reagido o mercado relativamente a esses produtos?

 

Neusa - É relativamente a preços. As pessoas não valorizam os trabalhos artesanais, não valorizam o trabalho dos artistas. Podem até gostar do produto mas reclamam sempre do preço. Compramos matéria-prima a um determinado preço, acrescentamos mão de obra e quando damos o preço ao cliente reclamam. Acham muito caro mas não sabem o preço que compramos a matéria-prima e nem o esforço que fazemos para pôr um produto de qualidade a venda. 

 

Como é que divulguem os vossos produtos?

 

Neusa – através do facebook e no site do Quintal das artes. 

 

Que planos têm para os próximos meses?

 

Neusa - Pretendemos participar em feiras para divulgar mais o nosso produto. Recentemente soubemos de uma feira que vai-se realizar, em breve, estamos a preparar para participar. Começamos agora esse nosso projeto e queremos continuar, criar muito mais e sei que vamos conseguir.

 

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Fatú Delgado é artesã há 18 anos. Gosta do que faz e é no atelier “Criolinha Fatú”, situado no Quintal das Artes, que passa a maior parte do seu tempo. A artesã é apaixonada por renda, técnica aplicada na maioria dos trabalhos.

 

Para além do artesanato, Fatú gosta de cantar, dançar e é organizadora de eventos. A artesã sonha em criar uma loja e dar emprego à juventude. Tem um projeto social, ainda em carteira, para ensinar artesanato a  jovens desfavorecidas.

 

Ao Noviactual, a artesã fala da sua paixão pelo artesanato, de como esta arte surge na sua vida, das dificuldades em encontrar materia-prima e dos projetos para o Futuro. 

 

Como artesanato surge na tua vida?

 

- Sou artesã há 18 anos. Na altura trabalhava numa loja comercial e nos momentos de menos movimento fazia renda. Com o passar do tempo apaixonei-me por renda. Depois abri uma barraca na praça estrela onde vendia os meus produtos.

 

[Gosto de coser mas a minha paixão, paixão, paixão é renda] Fatú Delgado

 

Como é o teu processo criativo?

 

- Primeiro é calma, amor, carinho…. Depois criar, criar… incentivo próprio e mãos a obra. Estamos sempre a inovar, porque se fizermos sempre mesmas coisas perde-se o gosto.

 

O que é que oferece como produto final?

 

- Faço muitas coisas, bolsas de saco com renda, bolsas de tecido, chapéus de renda, camisolas de renda, vestidos de tecido com renda, brincos, colares de renda, sandálias feitas de chinelos personalizados com renda. Também faço sola de sapatos, o processo de colagem, mas não de forma profissional porque cada pessoa tem o seu seguimento de trabalho. Aqui faço também arranjos de roupas.

 

A renda está presente na maioria dos teus trabalhos…

 

- Gosto de coser mas a minha paixão, paixão, paixão é renda (risos). Gosto também de serapilheira, trabalhar com sacos. Mas renda é a minha paixão. Inclusive fiz uma formação sobre “Criação especialista em moda e moldes” e já orientei formação na Praia, depois disso, conheci uma espanhola que gostou do meu trabalho e convidou-me para expor em Espanha. Mas não sei se consigo, por causa do passaporte. O meu está caducado e atualmente é difícil renovar passaportes. Gostaria de ir porque seria uma oportunidade única de conhecer outros artesãos e outras culturas. Tenho esperança.

 

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[Sobre dificuldades em encontrar matéria-prima] “Infelizmente em São Vicente não há onde comprar. Temos que deslocar à Praia e não podemos ir de avião, porque o preço é exageradamente caro. E de barco há muitas dificuldades na volta, por isso fica muito complicado” Fatú Delgado

 

Como é que estamos das vendas? 

 

- Artesanato tem a sua época. Nas épocas baixas vende-se pouco. Neste momento estamos na época alta que é nos meses de junho, julho, agosto e setembro, altura em que temos muitos emigrantes na terra. Mas atualmente o artesanato tem uma outra dinâmica e é visto com outra visão. Muitas pessoas já recorrem ao artesanato para oferecer no casamento, no batizado e em épocas especiais.

 

O que é que vende mais?

 

- Sandálias feitas de chinelo personalizado com renda, chapéus de renda, roupas de renda. As bolsas já já começam a vender, porque os emigrantes gostam muito destes tipos de bolsas.

 

 Como é que se vira para encontrar matéria-prima?

 

- Esta é uma grande dificuldade. Compro materiais na ilha de Santiago. Infelizmente em São Vicente não há onde comprar. Temos que deslocar à Praia e não podemos ir de avião, porque o preço é exageradamente caro. E de barco há muitas dificuldades na volta, por isso fica muito complicado. Neste momento São Vicente enfrenta uma situação muito…não digo frustrante porque não podemos desanimar mas já tivemos tempos melhores.

 

Para além do artesanato o que mais gostas de fazer?

 

- Gosto muito de cantar e dançar. Mas também sou organizadora de eventos.

 

Que projetos tens para o futuro?

 

- Pretendo voltar a dar formação em sandálias de tricô e criar uma escolinha de formação. Outro projeto resulta do amor que tenho pelo meu trabalho, pretendo dar formação à dez meninas carenciadas, que não podem pagar o curso, mas que querem aprender. E sonho em criar uma loja e dar emprego à duas ou três meninas.

 

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