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Noviactual

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No dia em que se celebra 43 anos da independência de Cabo Verde, o movimento cívico, Sokols, mais uma vez, saiu à rua para uma marcha pacífica contra as fomes dos dias de hoje numa alusão a marcha da fome do Capitão Ambrósio.

 

Os manifestantes vestidos de preto, empunhavam bandeira negra e cartazes com a palavra de ordem “Fome”: fome da justiça social, fome do emprego, fome da saúde, fome de desenvolvimento, fome da dignidade, etc,etc.

 

Na avenida Marginal, no parque de estacionamento do cais de cabotagem, último ponto do trajeto, Salvador Mascarenhas, líder do Sokols em declarações a imprensa disse que apesar de 43 anos de independência, é evidente que ainda muita coisa está mal.

 

“Nos 43 anos de independência de Cabo Verde verificamos que muita coisa está mal e algumas coisas andaram para traz, nomeadamente nos transportes, na saúde. Aqui em São Vicente assistimos cenas hilariantes de pessoas que não têm dinheiro para pagar um TAG é terrível” denuncia Salvador Mascarenhas, para quem o lema da marcha “Fome” é um alerta das várias fomes que o país enfrenta.

 

“As fomes que estamos a marchar é para chamar atenção que há fome de justiça, há fome de emprego, há fome de saúde, há fome de transporte etc. e principalmente fome de autonomia. Pensamos que se a nossa ilha e as ilhas todas tiverem autonomia Cabo Verde terá um futuro muito mais próspero e essas fomes poderão desaparecer.”

 

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Questionado se está surpreso pelo número de manifestantes, o líder Sokols garante que não e que Sokols nunca vai desistir.

 

“Não, não estou nada surpreso. E sei as manobras que tinham havido. Nós não andamos a fazer uma campanha de uma manifestação mas sim uma marcha. Houve uma campanha massiva do governo da juventude, mas já estamos habituados a isso, vamos continuar a marchar com 10, 15, 20 pessoas, vamos insistir é assim que fazem as mudanças num país.”

 

A marcha da fome do capitão Ambrósio começou na zona libertada da Ribeira Bote, percorreu as principais artérias de Mindelo até Avenida Marginal.

 

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Fatú Delgado é artesã há 18 anos. Gosta do que faz e é no atelier “Criolinha Fatú”, situado no Quintal das Artes, que passa a maior parte do seu tempo. A artesã é apaixonada por renda, técnica aplicada na maioria dos trabalhos.

 

Para além do artesanato, Fatú gosta de cantar, dançar e é organizadora de eventos. A artesã sonha em criar uma loja e dar emprego à juventude. Tem um projeto social, ainda em carteira, para ensinar artesanato a  jovens desfavorecidas.

 

Ao Noviactual, a artesã fala da sua paixão pelo artesanato, de como esta arte surge na sua vida, das dificuldades em encontrar materia-prima e dos projetos para o Futuro. 

 

Como artesanato surge na tua vida?

 

- Sou artesã há 18 anos. Na altura trabalhava numa loja comercial e nos momentos de menos movimento fazia renda. Com o passar do tempo apaixonei-me por renda. Depois abri uma barraca na praça estrela onde vendia os meus produtos.

 

[Gosto de coser mas a minha paixão, paixão, paixão é renda] Fatú Delgado

 

Como é o teu processo criativo?

 

- Primeiro é calma, amor, carinho…. Depois criar, criar… incentivo próprio e mãos a obra. Estamos sempre a inovar, porque se fizermos sempre mesmas coisas perde-se o gosto.

 

O que é que oferece como produto final?

 

- Faço muitas coisas, bolsas de saco com renda, bolsas de tecido, chapéus de renda, camisolas de renda, vestidos de tecido com renda, brincos, colares de renda, sandálias feitas de chinelos personalizados com renda. Também faço sola de sapatos, o processo de colagem, mas não de forma profissional porque cada pessoa tem o seu seguimento de trabalho. Aqui faço também arranjos de roupas.

 

A renda está presente na maioria dos teus trabalhos…

 

- Gosto de coser mas a minha paixão, paixão, paixão é renda (risos). Gosto também de serapilheira, trabalhar com sacos. Mas renda é a minha paixão. Inclusive fiz uma formação sobre “Criação especialista em moda e moldes” e já orientei formação na Praia, depois disso, conheci uma espanhola que gostou do meu trabalho e convidou-me para expor em Espanha. Mas não sei se consigo, por causa do passaporte. O meu está caducado e atualmente é difícil renovar passaportes. Gostaria de ir porque seria uma oportunidade única de conhecer outros artesãos e outras culturas. Tenho esperança.

 

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[Sobre dificuldades em encontrar matéria-prima] “Infelizmente em São Vicente não há onde comprar. Temos que deslocar à Praia e não podemos ir de avião, porque o preço é exageradamente caro. E de barco há muitas dificuldades na volta, por isso fica muito complicado” Fatú Delgado

 

Como é que estamos das vendas? 

 

- Artesanato tem a sua época. Nas épocas baixas vende-se pouco. Neste momento estamos na época alta que é nos meses de junho, julho, agosto e setembro, altura em que temos muitos emigrantes na terra. Mas atualmente o artesanato tem uma outra dinâmica e é visto com outra visão. Muitas pessoas já recorrem ao artesanato para oferecer no casamento, no batizado e em épocas especiais.

 

O que é que vende mais?

 

- Sandálias feitas de chinelo personalizado com renda, chapéus de renda, roupas de renda. As bolsas já já começam a vender, porque os emigrantes gostam muito destes tipos de bolsas.

 

 Como é que se vira para encontrar matéria-prima?

 

- Esta é uma grande dificuldade. Compro materiais na ilha de Santiago. Infelizmente em São Vicente não há onde comprar. Temos que deslocar à Praia e não podemos ir de avião, porque o preço é exageradamente caro. E de barco há muitas dificuldades na volta, por isso fica muito complicado. Neste momento São Vicente enfrenta uma situação muito…não digo frustrante porque não podemos desanimar mas já tivemos tempos melhores.

 

Para além do artesanato o que mais gostas de fazer?

 

- Gosto muito de cantar e dançar. Mas também sou organizadora de eventos.

 

Que projetos tens para o futuro?

 

- Pretendo voltar a dar formação em sandálias de tricô e criar uma escolinha de formação. Outro projeto resulta do amor que tenho pelo meu trabalho, pretendo dar formação à dez meninas carenciadas, que não podem pagar o curso, mas que querem aprender. E sonho em criar uma loja e dar emprego à duas ou três meninas.

 

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