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Noviactual

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“Cabo Verde na Lusofonia” é tema da exposição do artista plástico Fernando Morais, Nóia. A exposição decorre no Centro Cultural do Mindelo e enquadra-se na programação do Março - mês do teatro. O artista aplica, nesta exposição, uma técnica inovadora. A mostra reúne 12 quadros pintados com recurso a óleo sobre tela - fruto de um ano de trabalho. 

 

Nascido na ilha de São Vicente, Nóia, ganhou o gosto pela arte desde cedo. A primeira exposição aconteceu há 25 anos; aquando da escola primária. Nóia estudou Realização Plástica de Espectáculos, na Academia Contemporânea de Espectáculos, no Porto, Portugal. 

 

Noviactual percorre, agora, os corredores da mostra, na acompanhia do criador de “Cabo Verde na Lusofonia”. 

 

- Porquê este tema? 

 

Fernando Morais (Nóia): Por que se trata de um tema ainda por explorar em Cabo Verde resolvi aventurar-me. A exposição ainda está incompleta, pois tenho ainda algumas peças em construção. Na próxima exposição ficará mais completa.

 

- Foi moroso o processo criativo desta exposição?

 

Há um ano que estou a preparar esta exposição. No mês de Junho/Julho levei parte dessa exposição para Boa Vista enquadrado nas festas do município de Sal Rei, mas lamentavelmente tive um contratempo com a organização municipal e tive que vender parte das peças à turistas. Depois comecei tudo de novo com novas peças dentro do tema.

 

 

Inspiração e processo criativo

 

Fernando Morais (Nóia): Tudo me inspira, depende do estado de espírito. Qualquer coisa é suficiente para me inspirar.

 

- O que mudou no teu processo de criação?


Há quem diz que ‘mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’. Houve tempo em que gostava de pintar paisagens, outros em que gostava de pintar nus, mas agora estou muito mais maduro na arte, pinto outros motivos os quais nem sempre as pessoas têm o hábito de apreciar no dia-a-dia. Gosto sempre de surpreender. Talvez algumas pessoas não se sintam surpresas. A maioria contudo está surpreendida, pelo menos, na parte técnica que aplico nesta exposição. É uma técnica inovadora, o que para mim é simplesmente um prelúdio para melhor. 

 

Nóia: um artista apioado pelos seus

 

- Com que patrocínios conta para esta exposição? 

 

Infelizmente ou felizmente eu é que patrocíno as minhas obras. Os meus familiares e amigos é que me apoiam. A mostra não é uma exposição venda, porque em São Vicente não se compram peças pelo menos da minha parte.

 

- Quer dizer que não há incentivos à arte em Cabo Verde?


A questão de apoiar é muito complicado. Não fomos educados para ser apreciadores. Os sucessivos governos não têm dado prioridade ao ensino da arte em Cabo Verde, por isso, não temos um povo apreciador da arte. 

 

- Já agora quando é que começaste a pintar?


Desde sempre, a minha primeira exposição foi há 25 anos, quando ainda andava na escola primária, de lá pra cá foi algo meio atabalhoado. Cinco, sete anos de pausa intermediando exposições. A última exposição que fiz foi há cinco anos na ilha do Sal e, tive bom resultado. 

 

O artista revela gostar de surpreender, por isso, traz em todas as suas exposições algo novo, invulgar; sempre com uma vertente educativa: “As minhas exposições têm sempre uma vertente educativa. Todos os visitantes aprendem sempre alguma coisa. No caso da ‘Lusofonia’, que é tema da exposição, há muito por contar. Infelizmente é uma história que não tem sido contada devido a cultura que não se ensina e por isso estamos perdendo muita coisa por essa falta de conhecimento transportado.“

 

Nesta entrevista ao Noviactual, o artista plástico mindelense, fala da exposição, patente do Centro Cultural do Mindelo, e das suas inquietações relativamente à arte em Cabo Verde. Nóia mostra-se descontente pela forma como a pintura está a ser vulgarizada: - “é que no tocante às artes plásticas, à pintura em si, merecem maior respeito. Tenho visto 'formadores' que dizem formar pessoas para ganhar vida nas artes plásticas, nomeadamente pintura. Acho que é uma forma de vulgarizar a arte, pois, a pintura é nobre, precisa de muito estudo e trabalho. Não é coisa para brincadeira como andam a fazer por aqui.” 

 

De se agendar que no próximo mês de Maio, Fernando Morais expõe "Cabo Verde na Lusofonia" na ilha de Santiago; nas cidades da Rª Grande de Santiago (Cidade Velha), Praia e Assomada.

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